quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Conferência de Yalta

Churchill, Roosevelt, Stálin (e Darth Vader)
A fotomontagem é da autoria do ilustrador e fotógrafo indonésio Agan Harahap. Faz parte da série Super Hero, em que Harahap usa fotos famosas da II Guerra Mundial para realizar montagens com super heróis famosos na cultura pop.

A foto em questão é uma das mais famosas, a da Conferência de Yalta, de fevereiro de 1945. A essa altura, Hitler estava com a guerra praticamente perdida, e os Três Grandes, diante desse quadro, se reuniram em Yalta, na Ucrânia, para começar a decidir como o mundo seria a partir do fim da guerra. Nessa conferência, decidiram o destino não só da Alemanha (que teria seu território dividido entre os vencedores), mas também de todo o Leste Europeu (no momento sob ocupação soviética e futuramente sob influência comunista).

O personagem adicionado à foto é Darth Vader, de Guerra nas Estrelas. Vilão, braço direito do Imperador Palpatine (um ditador sedento por poder),Vader é um símbolo de opressão e ambição desmedida (assim como o Imperador).

Resultado da  junção desses dois elementos - o histórico e o ficcional - na fotomontagem: uma  rápida equalização dos três líderes vencedores da II Guerra Mundial com um dos maiores vilões da cultura pop. Com uma fotomontagem, o artista indonésio expôs a sua visão política sobre o final da II Guerra: os três maiores dirigentes mundiais (1/3 da população mundial estava sobre o comendo dos três) tinham como maior interesse o poder imperial, não a liberdade dos povos, como propagandeavam.

Existem ainda as interpretações comunista e capitalista. Os favoráveis à primeira não deixam de ressaltar as atrocidades cometidas por Stálin, mas as consideram necessárias para se implementar uma sociedade economicamente mais justa para todos os cidadãos. Os favoráveis à interpretação capitalista ressaltam a ditadura implementada por Stálin, e a necessidade de se conter ao máximo o seu poder. 

São muitas as interpretações evocadas a partir de uma "simples" fotomontagem, e aí está a importância de se ter um razoável conhecimento de História: sem esse conhecimento, a piada passa despercebida. E a crítica à piada.E a possibilidade de se criticar a História do século XX, antecedente do atual momento histórico.








quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Alegoria da Pintura, Johanes Vermeer

Alegoria da Pintura, Johanes Vermeer,c. 1666
Inaugurando o blog, uma pintura em que a musa do blog está representada: Clio. Sendo um blog sobre História, nada mais natural que a musa dos historiadores esteja no nome, nos posts sobre artes plásticas, em imagem na barra lateral. Enfim, nada mais natural que seja uma presença constante. A proposta do blog é justamente essa: ter História como tema, e também ensino de História e ensino em geral como temas correlatos. 

Sendo a História, a grosso modo, a relação do homem com seu tempo e espaço, este blog não terá um enfoque específico, como História Política ou Econômica, mas ambas. E também ciência e as diversas artes. Seria um projeto ambicioso, fosse acadêmico. Mas o objetivo do blog é mostrar que o estudo de História envolve todos os aspectos da vida humana, e portanto é muito mais do que datas e fatos (como os que não admiram acham). Conseguindo que: a)professores tenham aqui um lembrete de eventos que podem ser considerados "curiosidades" em sala de aula mas que na verdade demonstram que TUDO é História e ;b) alunos do Ensino Fundamental, ao caírem aqui por acaso venham a descobrir que tudo que uma criança/um adolescente se interessam se relaciona aquela matéria nem sempre amada, se eu chegar a esses objetivos, então serei uma blogueira/professora/historiadora feliz.

Vamos então à apresentação do quadro

O pintor: Johanes Vermeer, holandês, viveu no século XVII, entre 1632 e 1675. Seu quadro mais coonhecido é o Moça com Brinco de Pérola, que até rendeu um filme em 2003. Vivia como comerciante de arte, mas não vendendo seus quadros. Fazia parte da guilda de pintores de São Lucas, a qual chegou a  presidir. Morreu pobre. Para conseguir pensão, a sua viúva foi obrigada a vender todos os quadros que estavam em sua posse.

O quadro: a figura feminina representando o modelo do pintor é a musa grega Clio, inspiradora deste blog. A modelo é  mesma de Moça com Brinco de Pérola, uma criada de Vermeer.Aqui está com seus principais símbolos: a trombeta, o livro e a coroa de louros sobre a cabeça. O mapa da parede é a representação do século XVII dos Países Baixos, terra de Vermeer (publicado por Cleas Jansz  Visscher em 1636). Já o pintor é um auto-retrato. 

Ao pintar uma modelo vestida de Clio, Vermeer enfatizou a importância do conhecimento histórico para o artista. No século XVII, era comum o conhecimento bíblico, mitológico, histórico e alegórico figurarem como temas a serem explorados de forma a demonstrar o conhecimento do artista. E o aparecimento de Clio e seus símbolos não foi o único elemento histórico na pintura.

Como pode ser visto neste link aqui, com o quadro bem detalhado, a parte de cima do lustre tem duas águias: é o símbolo do Habsburgos da Espanha. O mapa retrata um momento político anterior ao que Vermeer vivia, quando pintou o quadro: o momento em que o que é hoje a Holanda ainda pertencia à Espanha (a independência foi em 1648 e o quadro é de 1666). Conjugando-se esses elementos alusivos à Espanha católica com outros quadros de Vermeer, alguns especialistas defendem a hipótese de que Vermeer era cristão, opositor portanto dos protestantes que conduziram a independência da Holanda.

História do quadro: diz-se que a pintura preferida de Vermeer seja a Alegoria da Pintura.Não vendeu  mesmo quando precisava para pagar dívidas e a família manteve o quadro, mesmo passando por dificuldades.  Até 1860, não se sabia que o quadro era mesmo de Vermeer, mas um especialista na sua obra confirmou a autoria - suspeitava-se que poderia ser de Pieter de Hooch, contemporâneo de Vermeer. Depois dessa confirmação, passou a ser exposto publicamente no Museu Czernin, em Viena. Várias tentativas de compra foram feitas, até que na II Guerra Mundial ele foi comprado em 1940 por Hitler. Com o fim da Guerra, os norte-americanos a acharam numa mina de sal, juntamente com outras obras que ali estavam para não serem destruídas pelos bombardeios. Um ano depois do final da guerra, os norte-americanos devolveram a tela ao governo austríaco, estando a tela num museu vienense. Em 2009 os herdeiros da família Czernin, proprietária do quadro antes de Hitler, entrou com uma petição junto ao governo austríaco para voltar a ser proprietária da obra.

O pintor surrealista Salvador Dalí, em 1934, fez um quadro tendo como referência a Alegoria da Pintura: The Ghost of Vermeer of Delft Which Can Be Used As a Table